segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

The Dø

 The Do é uma banda pouco conhecida de origem francesa. A voz da vocalista por ser bem marcante é odiada ou amada, aqui em casa é odiada pela minha mãe, ouvia muito The Do há um ano, depois de formatações no pc acabei perdendo TUDO e não tinha achado nenhum site que houvesse o disco para baixar. Finalmente encontrei-o e voltei a ouvir a banda, lógico! Vale a pena baixar o CD.

Ninguém quer ser uma laranja inteira.
E vamos a primeira segunda do ano.

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Descoberta, passagem,dor, tempo e fim.


Não sei se você sabe qual sensação é, mas quando damos demais de si ficamos fracas para encarar as próximas possibilidades, então, estou nessa fase, por isso me nutro dos meus amigos, das palavras, das músicas, dos livros, das sensações, das fotografias, do pôr do sol, do sol nascente, dos meus planos, dos meus sentimentos e da minha família. Eu não sei se você sabe, mas amar é inevitável, sempre amamos, por mais que doa assumir, mas a permissão um dia é alcançada e quando a alcançamos, somos de veras felizes. Vivi durante muito tempo num casulo e isso me agradava, não fazia diferença, como iria sentir falta de sensações se nunca as sentiras? E quando descobrir que era apenas mais uma Lóri me surpreendi, porque encontrei várias outras mulheres na descoberta de si e do amor, isso me deixou perplexa, pensei de verdade ser a única Lóri e como gostava de sê-la, descobrir uma infinidade de sentimentos, razões e emoções que me faziam ser feliz, ou apenas faziam sentir-me viva, que me fazem ser viva hoje. Lóri para quem não sabe, é a personagem de “Uma aprendizagem, ou, o livro dos prazeres”, as vezes fico fadigada de viver esses personagens que meus escritores prediletos inventam, absorvo tanto do que leio que acredito que minha vida seja um livro inconstante e cada ano que passa vejo o quanto sou mais inconstante e quanto procuro me dar às pessoas de uma forma brusca e fugaz e quando não o faço, não me sou... “Amor será dar de presente ao outro a própria solidão? Pois é a última coisa que se pode dar de si.” Clarice... me assusta hora ou outra essa minha obsessão lispectoriana, mas não me julgues, ela me faz enxergar. Entende?! Não sei se você sabe, mas não procuro entender muita coisa, por isso troquei de curso, não queria entender as moléculas da água, nem compreender de quais gases o ar era preenchido, queria apenas sentir, sentir a água ao tocar meu corpo, sentir o vento a me deixar as orelhas geladas e a ponta do nariz vermelha, por isso desistir de química e fui a letras e agora me apareço com outra incógnita de mudar de letras às ciências sociais, acho que quanto mais tempo passa, mais humana fico, de veras sofro mais, por que absorvo o que me tem a frente, mas de veras vivo mais porque não me preocupo em sofrer, me sentir viva compensa qualquer sofrimento. E quanto mais tempo passa mais sou eu, minhas experiências e sentimentos vão se compactando e ficando menos confusos, mais calmos, mais seguros, menos desesperados e mais singelos, ao menos para mim, vejo prazer em coisa tão pequena que quase sempre passa despercebida e observando me sou mais, entende?! Eu não sei se é pelo meu signo, sou uma libriana assídua, mas tomar decisões sempre foi o meu fraco, sempre deixo só para ver até onde tudo vai parar e isso é ruim, se sei a hora certa de parar porque não paro? Eu não sei, mas e se não for a hora de parar? E meu corpo gritar continuar? Não dá para decidir e enquanto não decido um final menos doloroso vivo as raspas da dor que sempre me interessam porque as raspas sempre passam despercebidas.
Mais um ano se foi, às poucas pessoas que aqui passam e as que não passam também, feliz 2010!


"...Estou procurando, estou procurando. Estou tentando entender. Tentando dar a alguém o que vivi e não sei a quem, mas não quero ficar com o que vivi. Não sei o que fazer do que vivi, tenho medo dessa desorganização profunda. Não confio no que me aconteceu. Aconteceu-me alguma coisa que eu, pelo fato de não a saber como viver, vivi uma outra? A isso quereria chamar desorganização, e
teria a segurança de me aventurar, porque saberia depois para onde voltar: para a organização anterior. A isso prefiro chamar desorganização pois não quero me
confirmar no que vivi - na confirmação de mim eu perderia o mundo como eu o tinha, e sei que não tenho capacidade para outro.
Se eu me confirmar e me considerar verdadeira, estarei perdida porque não saberei onde engastar meu novo modo de ser - se eu for adiante nas minhas visões fragmentárias, o mundo inteiro terá que se transformar para eu caber nele. Perdi alguma coisa que me era essencial, e que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então
me impossibilitava de andar mas que fazia de mim um tripé estável. Essa terceira perna eu perdi. E voltei a ser uma pessoa que nunca fui. Voltei a ter o que nunca tive: apenas as duas pernas. Sei que somente com duas pernas é que posso caminhar. Mas a ausência inútil da terceira me faz falta e me assusta, era ela que fazia de mim uma coisa encontrável por mim mesma, e sem sequer
precisar me procurar." Lispector
Talvez o pequeno texto que resume meu 2009, fragmentado de Paixão segundo G.H.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Chega de saudade.


Viciada em chega de saudade, poemas, letras, livros e fotografia. Tive momentos lindos e inéditos por mais que fossem tímidos e vagarosos, mas muito sorridentes. Nem me lembrei de muita coisa que doía, nem me importei com quem já se foi, nem se quer pensei em o que dominava minha mente. Chorei baixinho de tristeza e nem quis levantar-me da cama, corpo mole, clima chuva e chega de saudade ao fundo, olhei-me ao espelho e limpei as lágrimas doídas, de pessoas doídas que me doem vez ou outra, recusei telefonemas depois de falar o que me prendia o peito, eu sei que doeu. Doeu em mim também, mas chega de saudade, eu sei que vai passar. Sempre passa sabe?! Então vamos continuar, viver esse finalzinho de ano, fazer loucuras leves, fazer carinho, dizer carinho, criar carinho, viver pertinho, abraçar devagarzinho e aproveitar cada presença como se fosse a última vez que fosse presente, sim presente. Presente esse meu, que tenho ao meu lado ou dentro de mim, que tenho nem que seja uma vez por ano, que tenho aos finais de semana no bar, que tenho no aconchego da casa, que tenho no filme preferido, que tenho no trago forte ou no café amargo.



Eu tenho tanto e nem sabia.


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Queria escrever, mas não sei o que. Será que falta algo?
Feliz natal a todas, por mais que minhas crenças diga que tudo isso é uma grande mentira... cada um com a sua fé. Abraço, beijas!
Deixo a vocês, poema da necessidade, do nosso velhinho Drummond.  
  
É preciso casar João,
é preciso suportar Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.

É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.

É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores
de que rezam velhos autores.

É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar o fim do mundo.

Falta tanto ainda, há tanto que precisamos, que queremos, que esquecemos, que mudamos, que não importamos, há tanto que queremos necessitar, mas vivemos sem. Há tanto o que viver, há tanto o que mudar, há tanto o que suportar, há tanto o que acreditar, há tanto que me incomoda...

sábado, 19 de dezembro de 2009

Hilda


Ontem fui ao cinema e assistir “Do começo ao fim” e que fantástico mundo de bob, acho que me decepcionei porque esperava mais, meu defeito sempre é esperar e nunca ser correspondida a ponto, há o que mais preciso mudar para melhor vivência humana, mas enfim não queria falar disso, o filme de fato é ruim, monótono e bobo. Daria para abordar tantos e tantos assuntos, mas quem tem vontade de assistir, assista! Filme para burguesia gay não pensante e acomodada. Será?! Houve uma parte em que um dos carinhas lia para o outro Hilda Hist, quando ele começou, pensei: será Caio Fernando Abreu?  Mas logo vi, era então a amiga dele, Hilda Hilst, pensei em milhões de coisas passadas que ainda lembro vez ou outra, conheci Hilst tardiamente, numa peça chamada “A obscena Senhora D” que foi tirada de um livro, assistir essa peça com uma ex-namorada e que peça fenomenal, lembro-me dela até hoje com ardor, saímos da sala de teatro insaciáveis, ofegantes e transpirando prazer e vontade pelos poros e então depois dessa noite não pude deixar de saber quem era aquela mulher que me tocou tão a fundo e me fez virar aquela pessoa, que fui aquela noite, precisava saber daquela mulher! Fui atrás, peguei o livro para ler e por sinal uma leitura nada fácil, e outros livros, frases, poemas e depois de um tempo deixei morrer e ontem vendo aquele filme me deu vontade de reviver sentimentos novos com essa autora, ela realmente me toca. Deixei morrer depois de ler a metade de um livro, O Caderno Rosa de Lori Lamby, e que livrinho pesado e repugnante, me dava nojo aquela leitura. Como o Caio, Hilda tem algumas coisas que não gosto, para mim a literatura, que seja a mais clichê, a política, a sentimental etc, deve ser lida com gosto e algumas insanidades e erotismo vez ou outra me causa repugnância, acho que para ser excitante não precisa explicitar com bucetas, paus e socação, só precisa ser bela e falar de prazeres inconscientes, desejos... enfim esse é meu gosto.

 

Então apresento a vocês um pouco de “Alcoólicas” de Hilda Hilst:

É crua a vida. Alça de tripa e metal.
Nela despenco: pedra mórula ferida.
É crua e dura a vida. Como um naco de víbora.
Como-a no livor da língua
Tinta, lavo-te os antebraços, Vida, lavo-me
No estreito-pouco
Do meu corpo, lavo as vigas dos ossos, minha vida
Tua unha plúmbea, meu casaco rosso.
E perambulamos de coturno pela rua
Rubras, góticas, altas de corpo e copos.
A vida é crua. Faminta como o bico dos corvos.
E pode ser tão generosa e mítica: arroio, lágrima
Olho d'água, bebida. A Vida é líquida.
(Alcoólicas - I)

* * *

Também são cruas e duras as palavras e as caras
Antes de nos sentarmos à mesa, tu e eu, Vida
Diante do coruscante ouro da bebida. Aos poucos
Vão se fazendo remansos, lentilhas d'água, diamantes
Sobre os insultos do passado e do agora. Aos poucos
Somos duas senhoras, encharcadas de riso, rosadas
De um amora, um que entrevi no teu hálito, amigo
Quando me permitiste o paraíso. O sinistro das horas
Vai se fazendo tempo de conquista. Langor e sofrimento
Vão se fazendo olvido. Depois deitadas, a morte
É um rei que nos visita e nos cobre de mirra.
Sussurras: ah, a vida é líquida.
(Alcoólicas - II)

* * *

E bebendo, Vida, recusamos o sólido
O nodoso, a friez-armadilha
De algum rosto sóbrio, certa voz
Que se amplia, certo olhar que condena
O nosso olhar gasoso: então, bebendo?
E respondemos lassas lérias letícias
O lusco das lagartixas, o lustrino
Das quilhas, barcas, gaivotas, drenos
E afasta-se de nós o sólido de fechado cenho.
Rejubilam-se nossas coronárias. Rejubilo-me
Na noite navegada, e rio, rio, e remendo
Meu casaco rosso tecido de açucena.
Se dedutiva e líquida, a Vida é plena.
(Alcoólicas - IV)

* * *

Te amo, Vida, líquida esteira onde me deito
Romã baba alcaçuz, teu trançado rosado
Salpicado de negro, de doçuras e iras.
Te amo, Líquida, descendo escorrida
Pela víscera, e assim esquecendo
Fomes
País
O riso solto
A dentadura etérea
Bola
Miséria.
Bebendo, Vida, invento casa, comida
E um Mais que se agiganta, um Mais
Conquistando um fulcro potente na garganta
Um látego, uma chama, um canto. Amo-me.
Embriagada. Interdita. Ama-me. Sou menos
Quando não sou líquida.
(Alcoólicas - V)


domingo, 13 de dezembro de 2009

 Minha vida percorre em círculos de atitudes, sentimentos, obrigações, privações, delírios, dores, angustias... de tudo que já fiz e vou voltar a fazer, de tudo que já sentir e jamais deixarei de sentir  porque a vida me obriga a fazer e ditar tudo novamente e outra e outra vez sem deixar de repetir os mínimos detalhes, até a dor é igual, o medo, a revolta e a limitação de limitar o que é ilimitável: o amor. E é por amor que faço loucuras e grito na rua na discórdia onde não se pisa no chão e não se pensa com a cabeça. É tudo por amor que por um desnível se transforma em ódio e dor. É a dor que faz com que eu chore e sangre por dentro, a dor faz com que não pense e me priva de amar... o amor... eu não me canso de amar e fazer sempre as mesmas loucuras, eu sou feita de amor. Eu sou o amor da cor de vermelho intenso, vermelho sangue, vermelho vida, eu sou amor do coração disparar, eu sou o amor da força e do aconchego, eu definitivamente sou o amor.

Eu sou o amor por se feita dele e cresço quando amo, eu vivo quando eu amo e não deixo de amar, sempre estou amando, sempre estou viva, sempre amo, amo, amo, amo e amo... pecado é amar e não se permitir.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

mulher


Aquela mulher chegou do trabalho, como todos os outros dias, abriu a porta e sem acender a luz jogou as chaves na mesinha de centro da sala, se jogou no sofá, suspendeu as pernas exaustas de mais um dia naquela empresa que odiava e acendeu seu cigarro forte, fumou, um, dois e três, consecutivos, sem dá tempo de apagar nenhum, ficou ali no escuro durante uma hora, pensou na sua vida  em retrospectiva, sua infância, seus amigos da adolescência, seus vários amores, suas atropeladas e momentos intensamente vividos, sorriu por um segundo e pensou que aquilo tudo que vivera até ali deixara marcas de dores, receios, medos, alegrias e lembranças. Levantou-se, acendeu outro cigarro e foi à janela, a lua estava imensa, a cidade quieta, as luzes fortes e a fumaça se esfumaçava cada vez mais, quase a esconder seu rosto, que era um branco grotesco, tinha olhos fortes e grandes, uma boca de lábios finos e rosados, hora em hora molhava aqueles pequenos lábios com a língua ao soltar um trago forte que se ouvia naquele imenso silêncio, ficou a olhar aquela noite, em que ela era ela, porque estava sozinha e sozinha ela conseguia ser quem era. Tinha uma leveza incontestável de uma bela alma feminina, guerreira, cheia de interrogações e exclamações. Naquela solidão, deu alguns passos e sem acender a luz se olhou no espelho que refletia pouco, quase nada, olhou seus traços e sua alma, ela estava em paz.