quarta-feira, 3 de agosto de 2011

minha natureza.

Foram dias de glória, pensei eu. Havia vida. Fiquei parada e ficaria ali durante horas, estou feliz. Todo esse contato com a natureza e suas perfeições me faz bem, descobrir mais dos meus ancestrais, da minha cultura, da minha mulher negra. Estou chegando a uma completude que não imaginava chegar sozinha, quase completa. Aprendi a lidar com meu eu em meio de tanta solidão e ilusão que me matavam aos poucos, mas hoje as sinto como a água: maleável, ora forte, ora fraca, poderosa, essencial para nossa sobrevivência, mas com o poder de matar. E a minha solidão faz parte de mim, ela é meu eu. É nela que me encontro e me conheço, dias de glória penso eu, no samba, no côco, no maracatu, na cultura afro, na cor negra, na história, enfim dias de glória. Cada caminho e viagem e estrada e cor e gosto e cheiro e pessoa que conheço me faz viver, alívio de está viva e de me sentir viva. Alívio de sentir o ar, a água forte, o gosto da cachaça com mel, o cheiro do meu corpo sem creme, sem antitranspirantes, sem giletes, o cheiro da minha pele como ela é, junto ao meu suor e minhas escolhas. Gosto de me aceitar e de me querer bem, de cuidar de mim, do meu eu e só assim posso fazer bem aos outros.

cataratas dos couros - GO

"Hoje eu quereria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações...
Hoje eu quereria apenas ver uma flor abrir-se, desmanchar-se, viver sua existência autêntica, integral, do nascimento à morte, muito breve, sem borboletas nem abelhas de permeio. Uma existência total, no seu mistério (e antes da flor? -- não sei) (e depois da flor? -- não sei). Esta ignorância humana. Este silêncio do universo. A sabedoria." 
Cecília Meireles - Compensação do livro Janela Mágica.



"Mas também sabia de uma coisa:quando estivesse 
mais pronta,passaria de si para os outros,o seu caminho era os outros.
Quando pudesse sentir plenamente o outro estaria a salvo e pensaria:eis o meu porto de chegada.
Mas antes precisava tocar em si própria,antes precisava tocar no mundo"
Clarice Lispector - Uma aprendizagem, ou, o livro dos prazeres. 

3 comentários:

Juliana Andrade disse...

vc ta muita linda ray,simples e linda..dá paz de ler sabia?!te amo

Srta. Clichê! disse...

Que lindo!

Simone Moda disse...

Ray, coração, enviei uma cartinha para vc essa semana e tenho novidades, estou indo para curitiba dia 23 e passarei por brasília. E ainda assim quero estar contigo no feriado de setembro. Dei-me respostas.

TE AMO! Vc como sempre, LINDA!